
A notícia começou a se espalhar:
em vez de cair dos saltos as mulheres vão ver os saltos começarem a cair.
Ou seja: parece que os sapatos vão voltar a ter alturas razoáveis
(no máximo seis centímetros) e esquecer por um tempo as plataformas gigante
e os mega-stilettos de 15 cm com que andaram nos atormentando.
Já não era sem tempo.
Cansei de ver modelo caindo feio em passarela por causa dos sapatos,
sem mencionar a cara de angústia que senhoras e senhoritas fazem
na hora de atravessar uma rua ou andar em calçadas esburacadas como são as das nossas cidades.
Não fosse pelo bendito contraponto da moda das rasteirinhas e das sapatilhas
estaríamos perdidas e condenadas a andar, como temos feito nestas últimas estações,
a passos de cegonhas ou saracuras pelo mundo afora. Ridículo tem limites. Ou deveria ter.
Os primeiros sinais da queda desta moda estão aparecendo
em algumas passarelas e nas declarações de sapateiros famosos como Christian Louboutin:
“Tivemos uma overdose dos saltos muito, muito, altos.
Mas não é só a altura que incomoda e sim a complicação dos modelos,
que fizeram dos sapatos objetos impossíveis de andar”
Algumas mulheres de grande impacto na mídia e na opinião pública se recusaram a adotar a moda.
Michelle Obama e Carla Bruni foram duas delas.
O que se dizia, entretanto, era que a recusa se devia mais
ao fato de serem muito altas e ficarem maiores que os maridos nas fotos.
O caso é que a imagem dos sapatos mais baixos começou a ser absorvida pela opinião pública
e inspirou os estilistas a colocá-los em suas coleções.
Lanvin, Givenchy, Marni, Louis Vuitton e Stella McCartney
já estão com vários modelos em suas vitrines de primavera verão que está nas lojas.
Lá fora, os novos pisantes atendem pelo nome docinho de kitten heels - ou seja, saltos-gatinho.
Não faço a menor ideia de como serão chamados por aqui.
Mulher de salto alto é lindo de ver:
as pernas ficam esticadas, a postura melhora,
o andar fica mais elegante e ela parece confiante e sedutora.
Mas tudo isso vai abaixo quando o exagero
transforma toda essa belezura em uma andar tropeçante,
desestabilizado e trôpego que os sapatos/esculturas têm mostrado.

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